quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

No campo das ideias...

      Bateu uma dúvida. É normal, não é? Acontece com todo mundo, não? Oras, o casamento é uma grande decisão, uma mudança e tanto na vida de qualquer um. Tudo bem uma insegurançazinha, né? Sabe o que é? Faz menos de cinco meses e já temos tantos dilemas. Sei que é normal, e nem estou arrependida. Acontece que de repente me veio o pensamento: será que todos os rituais antecedentes não tem um porquê de existirem? Será que não forcei demais? Não foi precipitado? Talvez precisássemos de mais amadurecimento individual, e até como namorados, talvez fosse preciso ter vivido mais experiências boas e ruins. Talvez noivar não seja apenas anunciar às famílias e ter um anel bonito, mas um rito de passagem de preparação, planejamento e confirmação. Não será possível que sejam mesmo significativas pro desenvolvimento humano despedidas de solteiro e chá de cozinha? Talvez gastar com uma grande festa trate também de organizar a dois, revelar e realizar sonhos, ceder, convencer, ansiar e até viver pequenas frustrações. Talvez os proclames e escrever os votos sejam mais que tradições, mas situações necessárias. É possível que morar junto seja mais uma perigosa invenção moderna, tem suas vantagens, mas está intrissecamente ligada a era do imediatismo, do fulgáz. Fico receosa de que os rituais pulados ou apressados façam falta, fiquem nos planos pra um dia e dias chuvosos se aglomerem em sua frente. 
      Como se preparar hoje? Querido leitor, como efetivar o casamento agora? Agora que todos já sabem, que viemos morar com os pais deles, que  investimos em móveis, que  adquirimos dívidas, que sonhos se esbarram, que filhos entraram no planejamento e uma cerimônia caiu na lista de prioridades? Como garantir o amor acima da pressão da insônia x acordar cedo pra trabalhar, ver documentário x assistir à novela, jantar fora x comer pão, ir à praia x passar o domingo na dupla cobertor e TV? Fora as contas, as discordâncias com a sogra, o tempo de engravidar, a louça e os sapatos sujos dentro de casa. Ah, encontrei meu casamento, e bem entrosado com o recurso moderno de juntar os trapos.  

Ana KL.
 

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